sexta-feira, 27 de junho de 2008

Apresentação de resultados de análise quantitativa

A análise quantitativa de dados baseia-se na transformação da informação que o investigador possui em variáveis. Existem dois tipos de variáveis, as variáveis quantitativas – que implicam relações mensuráveis ou contáveis – e as variáveis qualitativas – que expressam atributos, qualidades ou opiniões dos indivíduos em estudo.
As primeiras podem ser discretas – apresentando vários valores possíveis (como o número de alunos de uma turma) – ou contínuas – em que os valores pertencem a uma gama (médias dos alunos de uma turma). Para as variáveis discretas, a distribuição da frequência surge em proporção à relação característica. Assim, temos, nas turmas de 10º ano de uma escola, por exemplo, 25% têm 22 alunos, 5% têm 23 alunos, 55% têm 24 alunos e 15% têm 25 alunos. Para as variáveis contínuas, esta distribuição é feita relativamente a um intervalo. Podemos ter, para o exemplo assumido, 5% dos alunos têm média entre os 0-4,9 valores, 20% dos alunos têm média entre os 5-9,9 valores, 50% têm média entre os 10-14,9 valores e 25% têm média entre os 15-20 valores. Estes resultados podem ser apresentados em gráficos contudo, enquanto que para as variáveis discretas só podemos utilizar gráficos de barras em que cada barra corresponde a um dos valores possíveis tomados, para o caso das variáveis contínuas podemos utilizar, do mesmo modo, gráficos de barras em que cada barra corresponde a um intervalo de valores ou gráficos contínuos.



As variáveis qualitativas podem ser ordinais – em que se atribui uma ordem aos resultados (como o grau de escolaridade dos encarregados de educação) –, nominais – em que não se pode estabelecer relação (profissões dos encarregados de educação). Os resultados da análise de variáveis qualitativas são, normalmente, apresentados em gráficos circulares.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Ciclo de uma investigação-acção




A investigação-

-acção é ciclíca e

pode ser

apresentada do

modo esquematizado.






Etapas do processo de investigação-acção

A investigação-acção, como já referido anteriormente, deve conciliar as características da investigação e da acção simultaneamente sendo que a investigação deve ser realizada com o intuito de produzir uma reflexão e orientar uma acção de mudança. Deste modo, este tipo de investigação tem duas vertentes e obriga a dois planos, um plano de investigação e um plano de acção.
Kuhn e Quigley (1997) propõem um ciclo de investigação-acção.
Numa primeira fase, procede-se à planificação. Para tal, deve-se definir o problema e o projecto (ou seja, os métodos a seguir e as técnicas de recolha e análise de dados que mais se adequam à situação estudada). Nesta fase, o investigador deve seleccionar, inicialmente, um tema que seja do seu interesse e cujo estudo seja pertinente. De acordo com o tema e a abordagem pretendida, o investigador escolhe o método de investigação e elabora os instrumentos de recolha de dados que devem ser submetidos a validação antes de serem aplicados. Deve também decidir, antecipadamente, as técnicas de tratamento de dados recolhidos que pretende utilizar.
A segunda fase corresponde à acção, a implementação do projecto e a observação.
A terceira (mas provavelmente não última) fase é a fase da reflexão. Nesta fase, o investigador deve reflectir sobre a situação estudada, avaliá-la e decidir o caminho a seguir. Se o investigador considerar que não há mudanças a executar, termina a investigação-acção, se não, o ciclo reenicia-se e irá reeniciar-se tantas vezes quantas as necessárias até que os objectivos do investigador sejam atingidos.
Torna-se, então, evidente, que a investigação-acção processa-se de forma cíclica. Este processo de investigação e intervenção proporciona o envolovimento e consequente responsabilidade do investigador na produção de mudanças inovadoras.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A selecção dos entrevistados

Um dos cuidados que um investigador deve ter, quando recorre à entrevista como técnica de recolha de dados, é o de seleccionar convenientemente a amostra de entrevistados. Sendo que a entrevista é uma técnica típica da investigação qualitativa, este é um processo um tanto moroso. Além do tempo dedicado à preparação das perguntas, que devem ser apresentadas de forma a que o entrevistado possa adicionar experiências e opiniões pessoais mas que sirvam, simultaneamente, de guia para que o entrevistador não perca a perspectiva dos dados a obter, a própria execução da entrevista é demorada e o tratamento da informação recolhida através da mesma também. Para que o tratamento de dados de uma entrevista seja profícuo para o tema em estudo, todos os passos anteriores devem ser minuciosamente preparados. Assim, e porque a entrevista é um método com vista à obtenção de informação sobre opiniões e perspectivas dos indivíduos, além da cuidadosa escolha das questões, é muito importante que a amostra de entrevistados seja cuidadosamente seleccionada. Deste modo, os entrevistados devem estar directamente ligados ao tema em estudo para que possam ter uma opinião importante a considerar sobre o mesmo, devem ser em número suficiente para que a sua opinião possa ser generalizada a todos os intervenientes em semelhantes condições e devem ser representativos da amostra de indivíduos em estudo. Neste último caso, os entrevistados devem representar todos os intervenientes no assunto em termos de género, idade, grau de instrução e outros dados pessoais que podem intervir na opinião apresentada conduzindo a que esta seja uma opinião pessoal e não representativa.

Definir a Investigação-Acção

A investigação-acção é relativamente recente e o seu desenvolvimento tem sido muito conturbado devido à ideia tradicional de que a investigação deve ser conduzida por profissionais independentes do objecto a ser investigado. O conhecimento profissional prático é muito complexo e a sua utilização como alavanca de mudança poderá conduzir não só a melhorias pessoais e profissionais mas igualmente a melhorias nos contextos profissionais através da reflexão individual que orienta a compreensão da prática profissional.
Quando surgiu a investigação-acção?
Sendo uma metodologia de investigação que contraria a investigação tradicional, a sua aplicação tem sofrido avanços e recuos de acordo com os contextos político-sociais do momento. Assim, apesar de ter dado os seus primeiros passos nos E.U.A., esta metodologia “hibernou” posteriormente durante alguns anos ressurgindo mais tarde em diversos locais do mundo. De qualquer modo, a maioria dos autores atribuem a sua origem a Kurt Lewin, nos anos 40 do séc XX.
O que é a investigação-acção?
Considerando que as melhores definições que se podem dar desta metodologia são as que lhe são atribuídas pelos seus autores, vejamos as que nos são fornecidas por Elliot, Rapoport, Halsey e Bogdan e Biklen.
Para John Elliot, a investigação-acção estuda uma situação social com o propósito de “melhorar a qualidade da acção que nela decorre”. Assim, o objectivo é o de melhorar a qualidade de uma determinada acção. Essa melhoria só pode ser conseguida aprofundando o conhecimento desta mesma acção e é com o intuito de aprofundar esse conhecimento que se desenvolve a investigação.
Rapoport considera que é a existência de uma situação problemática que desenvolve nas pessoas envolvidas nessa mesma situação a necessidade de tentar resolver as suas preocupações. Assim, estabelece-se uma ligação entre as pessoas envolvidas na acção e o investigador que colaboram mutuamente articulando a prática com a teoria.
Para Halsey, a investigação-acção é uma intervenção teórica em pequena escala para melhorar o funcionamento do mundo real (prática).
Por outro lado, Bogdan e Biklen enfatizam a importância do método científico de investigação, mesmo no caso desta metodologia, salientando que a promoção das mudanças sociais que se pretende com a investigação-acção devem advir de recolhas de informação sistemáticas.
James McKernan sintetiza as ideias defendidas pelos seus antecessores considerando que a “investigação-acção é uma investigação científica sistemática e auto-reflexiva levada a cabo por práticos, para melhorar a prática”
Bibliografia:
Máximo-Esteves, L.(2008) Visão Panorâmica da Investigação-Acção, Colecção Infância, Porto Editora.

sábado, 17 de maio de 2008

Algumas vantagens e desvantagens da entrevista

A entrevista é um instrumento de recolha de dados que permite a obtenção de informação mais completa do que o questionário.
As entrevistas são realizadas a um número mais restrito de sujeitos pois, pelo facto de serem presenciais, requerem maior disponibilidade de tempo e espaço. Além disso, as questões, neste tipo de instrumento, não são imutáveis pois podem ser adaptadas pelo próprio entrevistador (especialmente em termos de linguagem) ao sujeito que está a ser entrevistado de modo a facilitar a compreensão e o diálogo entre ambos. As questões também podem ser, ao longo do decurso da entrevista, complementadas de acordo com as respostas inicialmente obtidas e esse complemento de informação pode ser directo – recorrendo a novas questões que não faziam parte do plano inicial – ou indirecto – com a recolha de expressões faciais ou reacções do entrevistado que permitem extrair conclusões sobre as suas opiniões. Estas são algumas das vantagens da entrevista sobre o questionário.
Entre as desvantagens da entrevista podemos considerar o tempo em que ela decorre e que é, normalmente, relativamente extenso e o espaço que tem de ser previamente planeado e combinado entre o entrevistador e o entrevistado. Podemos igualmente ter em conta os receios do entrevistado em expor a sua sinceridade e a tendência para que este dê as respostas que pensa que o entrevistador pretende obter ou que são politicamente correctas. Por fim, a análise de dados recolhidos numa entrevista é mais morosa e mais complexa.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O questionário

O questionário é um instrumento de recolha de dados que consiste na apresentação de questões escritas que deverão ser respondidas igualmente por escrito. Este instrumento, que tem como objectivo a recolha de informação detida pelos respondentes acerca dos seus conhecimentos, valores ou convicções, é muito utilizado em investigação educacional. Para ser devidamente validado e de modo a que os dados obtidos através do mesmo sejam fiáveis, é essencial que a elaboração do questionário seja rigorosa e obedeça a normas de substância e características técnicas das questões apresentadas. Este instrumento é de simples análise e permite a recolha de informação rápida, barata e sem grande estorvo para o respondente que o pode preencher quando melhor lhe convier. Por outro lado, a sua concepção é difícil, não pode ser aplicado a toda a população excluindo, à partida, analfabetos e crianças, está impregnado de incógnita relativamente à sua contextualização e nem todas as pessoas respondem integralmente. De qualquer forma, o questionário é um instrumento de recolha de dados muito útil sempre que bem construído.